As latas de refrigerante estavam em cima da mesinha de madeira, abertas e ocasionalmente sendo pegas pelas nossas mãos para que nós sorvêssemos o líquido gasoso. Estávamos todas sentadas sobre nossos próprios calcanhares ao redor da peça de decoração, gesticulando, falando, xingando e impondo nossas opiniões.
Para algumas coisas tivemos mais dificuldade em concordar, mas felizmente chegamos a um acordo. Todas queríamos aquilo, na verdade. E sabíamos bem disso.
Já havíamos nos decidido, depois de uns 45 minutos sentadas. Minhas pernas doíam e imploravam para que eu levantasse e me mexesse. Assim o fiz, esticando-me. Não estava com sono, e duvida muito que as outras também estavam. Costumamos passar as noites fazendo qualquer coisa, menos dormindo.
— Não quero ser a que vai falar com papai e mamãe. — Mi falou logo.
— Tampouco eu. — Já podia me ouvir gaguejando e nervosa, temerosa com a resposta que receberia. Eu definitivamente não teria coragem de perguntar isso.
— Vou eu então. — Flor bufou, pegando o telefone e discando os números.
Mi e eu sentamos próximas de Flor, olhando com atenção para ela, aguardando que ela começasse a falar. Depois de algumas tentativas, nossa mãe atendeu. Flor começou a explicar para ela tudo, e gesticulava enquanto fazia isso, mesmo que nossa mãe não estivesse aqui para ver. Observamos suas reações toda vez que ela parava de falar por poucos momentos, o que significava que mamãe estava falando do outro lado da lua.
— Certo. Tchau, te amo também. — Ela afastou um pouco o telefone da boca. — Ela disse que está um pouco ocupada, então não vai poder falar com vocês agora. E mandou um beijo para vocês também. — Por fim, desligou, pondo o telefone no gancho.
— E então?
— Ela falou que precisa resolver algumas coisas sobre isso, e falar com o papai sobre também. Mas para ela tudo ótima.
Sorrimos bobamente, trocando olhares mudos entre nós.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário