Feels.
domingo, 20 de julho de 2014
Um dia, você acorda, e vai lentamente para o banheiro. Olha no espelho, e vê que sua vida passou rapidamente, mas foi uma vida maravilhosa. As rugas e os cabelos brancos, mostravam marcas de velhice, era algo exposto. Olha pela janela, e sente os raios de sol invadindo aquele quarto parado, com cheiro de remédios. Vai para a igreja, faz tricô, coisas de idosas normais. Liga a tv, e vê que hoje é dia do amigo. Ora, de amigas só haviam as senhorinhas da igreja. Sua neta então, vai com sua filha em sua casa, para fazer uma visita, como sempre faziam aos domingos. Sua neta te olha com um olhar radiante, e fala: Ei vovó, quando você era pequena, quais eram suas amigas?
Não se recordava direito, mas resolveu pegar alguns álbuns e um chip velho de celular. Pega um celular velho, que na época era um dos mais modernos, coloca o chip, e reza para ele ligar. Ele liga, e está exatamente do jeito que deixara - Papel de parede de seus ídolos e tela de bloqueio também. Toca na galeria de fotos, e vê que todas as fotos estão lá, a nostalgia é enorme. De repente, você vê uma pequena pasta, chamados "Momentos da turma". Clica nela, e vê prints de suas amigas, Andressa, Maria Clara, Bruna, Rebeca, Rebeka, Viviane, Stella, Julia, Carol, Veronica, Margarida... Passa lentamente os prints, e a cada imagem que se passava, um sorrisinho no canto da boca se formava, e uma lágrima caía. De repente, sua cara fica pálida, e você sente uma dor aguda, como se alguém estivesse arrancando seu coração com as unhas. Prints das meninas falando que iam sair, pois a faculdade e o emprego estavam difíceis, elas não tinham tempo pra papear. Lágrimas escorriam, e a dor não parava, só aumentava. Entrou em seu facebook, e foi no chat das meninas, e se iludindo, deu um oi, como se alguém fosse responder. Então, quando foi bloquear seu celular, Rebeca deu um oi.
Você: Oi? É você mesmo?
Rebeca: Sim sou eu, não me lembro de você agora, quer dizer, não lembro qual era seu apelido.
Você: Eu não lembro de nenhum apelido - Disse sentindo a mesma dor, só que mais intensa
Rebeca: Pera, Piano? Piano, que saudades, aqui é a flor, se lembra?
Aos prantos, digitei a seguinte mensagem:
Flor, sim, aqui é a Piano. Só queria agradecer, por todos os momentos felizes que você me proporcionou, e agora, estou dizendo adeus, talvez nunca mais volte. Eu só queria dizer, obrigado por tudo, saiba que meu amor é enorme, e eu sou completamente grata pelos tempos passados, e peço desculpas por ter descumprido a promessa. Mas saiba que eu am...
Desmaiei, e só escutei o som de minha filha gritando e ligando para o hospital. Ela havia esquecido as chaves em minha casa, e me encontrou jogada no chão.
Acordo em uma sala branca, sem nada em volta. Tudo branco, sensação vazia. De repente, viro criança denovo, e vejo todas as meninas pessoalmente, na minha frente. Chorando, com um sorriso largo estampado na cara, corro e abraço elas. Choramos muito, rimos e contamos coisas feias e piadas, além dos muitos palavroes que falava. De repente, elas me soltam e falam que é minha hora. Os risos são parados por um som agudo de uma máquina de hospital avisando meu óbito. Eu perdi tudo. Tudo. Simplesmente tudo. Até aquele breve encontro espiritual, que foi o único que tive com minhas amigas.
Um anjo veio me acompanhar até o céu. Vejo uma porta, entrada pros céus. O anjo me leva pra uma pequena porta - Penso que talvez seja o inferno, merecido por ter feito aquilo com minhas amigas. Mas na verdade, a porta levava até a uma sala branca, na qual entrei sozinha e voltei a ser nova. De repente, minhas amigas novamente apareceram. Demos as mãos e dissemos
- Cumprimos. Somos amigas pra sempre.








