City of Angels — Capítulo I.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Eu olhava o meu próprio reflexo no espelho e tudo o que pude pensar era que eu estava um lixo. Minhas olheiras estavam visíveis, me deixando com um ar doentio combinado com o tom pálido de minha pele e meu corpo magricela, meu cabelo estava revoltado e minha cara não era a das melhores porque eu não estava de bom humor.

Quem fica de bom humor ao acordar as 6 horas da manhã para poder ir para a escola, mesmo? Ah, é, ninguém. Nem mesmo a Fiesta, que é ainda mais nerd que eu. 

Fui tirada dos meus devaneios de como eu estava/era feia quando ouvi batidas impacientes na porta do banheiro, e as reclamações enfurecidas de Flor. Ela gritava para eu ir me foder e me apressar, porque precisava tomar banho. Me esforcei para afastar a preguiça de mim e escovar mais rápido os dentes. Pasta Tandy de morango porque esqueceram de comprar Colgate (para dentes mais brancos!) na hora das compras mensais.

Junto com minhas irmãs, me com preguiça e relutância e fui quase voando para a escola. 

O dia seguiu normal. 

-x-

Era o horário de saída da escola e como sempre fiquei com minhas amigas. Conversamos trivialidades e assuntos estranhos, rindo e gargalhando sempre. Um empurrãozinho aqui, outro ali. Um sorriso enfeitava meus lábios enquanto eu ouvia a conversa sem de fato me manifestar. 

E tipo, vai ser foda. Bah falou, animada. Ela iria fazer uma viagem com a irmã, Fiesta, para Los Angeles. Iam fazer o ensino médio e faculdade lá, aparentemente. As duas falavam um pouco sobre como ia ser a viagem para nós, e ouvíamos, interessadas. 

Queria muito levar vocês. Fiesta suspirou. 

Também queria que você levasse a gente. Flor comentou. Eu ri baixo. 

Por que vocês não podem ir com a gente? Não é tão caro.

  Na verdade estávamos pensando sobre isso outro dia mesmo. 

Então se resolvam e venham com a gente, porra. 

A gente vai. Flor decretou. 

Não seja precipitada. alertei para ela. Ela apenas revirou os olhos. — Vamos resolver isso em casa. Democraticamente. E aí falaremos com mamãe e papai.

— Então resolvam-se logo, viu. Vou arrastar vocês mesmo e foda-se. 

Rimos e mudamos de assunto logo. Voltamos para casa e fomos para nossos respectivos quartos. Iríamos conversar sobre aquilo da forma mais formal que conseguíamos: Ao redor da mesinha de centro da sala, que fica perto do sofá, com coca-cola e olhares sério, sem contar a gente tentando não rir. 

De qualquer forma, eu tinha que admitir que ansiava para ir para Los Angeles.

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